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ORIENTAÇÕES
PARA AS BOAS PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO PREVENTIVA
Proteger o
património da Igreja exige a adopção de práticas que permitam
prevenir os riscos de furto, de vandalismo, os acidentes e a
degradação.
Por vezes,
medidas e formas de actuação muito simples podem ser suficientes
para garantir a preservação das peças impedindo a sua perda parcial
ou total e tornando desnecessárias intervenções de restauro, que são
sempre mais dispendiosas e menos benéficas para as peças.
Devemos também
ter especial cuidado com a boa vontade e estima de alguns
paroquianos, que os leva a fazer intervenções voluntariosas, mas
inadequadas e nocivas para os bens com valor artístico e histórico.
Vale mais
prevenir do que remediar,
este ditado aplica-se plenamente ao património da Igreja, por isso
apresentamos algumas orientações preventivas dos furtos, dos actos
de vandalismo e da deterioração. A maioria são acções simples, que
exigem poucos ou nenhuns encargos financeiros, dependem apenas de um
planeamento e organização cuidados. Em casos de dúvida deve-se
sempre procurar o apoio da Autoridade Diocesana e o aconselhamento
técnico e científico de pessoal especializado.
A actuação
preventiva contribui para a preservação dos objectos com valor
artístico e histórico e poupar recursos financeiros, pois quanto
maior for a degradação das peças mais profunda e onerosa será a
intervenção no futuro. Por isso, é fundamental que se consolide uma
actuação preventiva e que se actue com brevidade.
CONSELHOS PRÁTICOS DE SEGURANÇA CONTRA OS FURTOS
-
As chaves
das igrejas e capelas, cujo número deve ser limitado, devem
estar sob a responsabilidade do pároco e de um ou dois
paroquianos autorizados, mediante um registo que deverá ser
actualizado sempre que há alterações;
-
As chaves
nunca devem ser deixadas nas fechaduras;
-
Nunca devem
ser entregues as chaves a estranhos, mesmo em ocasiões como
festas, casamentos, velórios, etc;
-
As pessoas
residentes em redor da Igreja devem ser sensibilizadas para
darem particular atenção à vigilância da igreja e ser informadas
sobre os procedimentos a adoptar quando detectem qualquer
anomalia;
-
Caso seja
possível, podem ser organizados turnos de vigilância, entre as
pessoas com maior disponibilidade de tempo, particularmente os
jovens e os reformados, mantendo a igreja aberta ao longo do
dia;
-
Durante o
dia não é aconselhável que estejam abertas as portas
secundárias, deve abrir-se a porta principal (pelas suas
dimensões e posicionamento facilita a vigilância) e trancar
todas as restantes;
-
Os turistas
e outros visitantes que pretenderem visitar a igreja nunca devem
ficar sozinhos no seu interior;
-
Durante as
festividades e procissões a vigilância deve ser reforçada e
planeada, pois o aumento do número de fiéis pode facilitar os
furtos, nomeadamente das peças mais preciosas escolhidas para
aquele dia;
-
Antes do
encerramento deve-se proceder a uma inspecção do espaço e
objectos, verificar se não ficou algum intruso escondido no
interior da igreja, se as portas e janelas estão bem trancadas e
se os dispositivos de segurança (quando existem) estão
devidamente ligados;
-
Em face da
presença de pessoas estranhas à comunidade que levantem
suspeitas, deve-se recolher o máximo de informações e registar
os elementos identificativos dos meios de transporte utilizados;
-
As peças que
se possam remover e transportar com facilidade nunca devem estar
posicionadas junto às portas;
-
As peças de
ourivesaria e de joalharia que não sejam utilizadas
quotidianamente podem ser depositadas num banco, devidamente
acompanhadas de uma listagem, ou guardadas na própria igreja num
cofre de acesso muito restrito e sigiloso;
-
As caixas de
esmolas com valor patrimonial e sem segurança devem ser
assinaladas como estando fora de uso, sendo colocadas para uso
caixas de metal aparafusadas ao chão ou à parede, que devem ser
esvaziadas diariamente;
-
Durante a
realização de obras profundas ou de manutenção as medidas de
segurança devem ser reforçadas: deverá haver um registo e
controlo dos operários intervenientes; as peças de maior valor
devem ser guardadas em local seguro; a vigilância do
encerramento das portas e janelas deve continuar a ser
incumbência dos responsáveis da igreja;
-
A segurança
e estado de conservação das portas, janelas e outros acessos,
nomeadamente dos telhados, das dependências anexas e da torre
sineira deve ser avaliada periodicamente;
-
É
aconselhável a colocação de trancas interiores, o reforço das
fechaduras e dobradiças e a eventual colocação de grades nas
janelas;
-
A iluminação
do perímetro envolvente (dos adros, paredes e telhados) pode
reforçar a segurança do edifício inibindo os intrusos e
facilitando a visibilidade dos mesmos;
-
Os portões
de acesso ao adro devem ser fechados à chave durante a noite,
impedindo o acesso de pessoas, mas sobretudo de veículos para o
transporte dos objectos furtados;
-
As árvores e
a vegetação existentes em redor da igreja devem ser podadas e
cortada, respectivamente, para que não constituam elementos
perturbadores da visibilidade do edifício ou esconderijos para
os intrusos;
-
Aconselha-se
a instalação de alarmes de intrusão, cuja existência deverá ser
objecto de um aviso, constituindo assim mais um elemento
dissuasor dos intrusos;
-
A entrega
das peças para serem restauradas em oficinas pode constituir uma
forma de furto, devido à troca do original por um exemplar
falso, executado pelo pantógrafo ou por outros meios, pelo que
deve ser previamente avaliada juntamente com a Autoridade
Diocesana;
-
As
esculturas e pinturas de menores dimensões podem ser protegidas
através de sistemas de fixação adequados.
CONSELHOS
PRÁTICOS DE SEGURANÇA CONTRA ACIDENTES
-
As
instalações eléctricas devem ser realizadas por técnicos
competentes e verificadas periodicamente;
-
Se o quadro
e a instalação eléctrica já são muito antigos é indispensável
providenciar a sua substituição;
-
Os
projectores luminosos devem ser afastados dos materiais
facilmente combustíveis, nomeadamente obras de madeira;
-
Deve-se
evitar o uso de velas, particularmente junto a toalhas,
plásticos, madeiras, etc., e quando utilizadas a vigilância deve
ser constante;
-
Os aparelhos
de aquecimento, particularmente os que funcionam a gás, devem
estar sob vigilância e afastados dos objectos e mobiliário;
-
Os
equipamentos eléctricos devem ser desligados quando se encerra a
igreja;
-
A realização
de obras deve ser cuidadosamente acompanhada por um plano de
segurança para as peças da igreja, nomeadamente no que concerne
ao sistema eléctrico e ao manuseamento de produtos inflamáveis;
-
As
arrecadações com materiais de limpeza e produtos inflamáveis
(azeite, álcool, cera) restos de velas, esponjas, cartões e
objectos diversos devem ser colocadas nos espaços mais
exteriores ou armários específicos e nunca atrás dos retábulos
ou perto das obras de arte;
-
Aconselha-se
a instalação de um extintor de Pó Químico Polivalente (para os
fogos com origem em matérias sólidas) e um extintor de CO2
(para os equipamentos eléctricos) que devem ser anualmente
inspeccionados.
-
Se possível,
deve-se instalar um detector de incêndios;
-
Colocar um
pára-raios no ponto mais elevado do edifício;
-
Pode ser
solicitado apoio aos bombeiros para a elaboração de um plano de
actuação em caso de sinistro;
-
A manutenção
das tubagens e das torneiras deve ser cuidada e antes do
encerramento da igreja deve-se verificar se estão fechadas.

CONSELHOS
PRÁTICOS DE PREVENÇÃO DOS FACTORES DE DEGRADAÇÃO
A manutenção
do edifício é fundamental para a preservação das peças que
integram o espaço interior, por isso recomenda-se:
-
A drenagem
das águas pluviais deverá ser eficaz e com escoamento uniforme
em torno do edifício;
-
É
fundamental a realização de limpeza e manutenção regular das
caleiras e sistemas de drenagem das águas pluviais;
-
As portas,
as janelas, as superfícies parietais e os telhados devem ser
inspeccionados periodicamente para garantir a sua hermeticidade
e para que não deixam entrar humidades;
-
Um vidro
partido deve ser substituído com a maior brevidade para evitar a
entrada de aves (pombos, andorinhas, etc.) que vão danificar e
sujar os objectos;
-
Em alguns
edifícios a composição parietal pressupõe a existência de um
reboco exterior, pelo que a sua remoção pode potenciar a entrada
de humidades;
-
A existência
de canteiros contíguos às paredes do edifício deve ser evitada
por favorecer a retenção da água;
-
Através de
observações periódicas ao interior e ao exterior do edifício
deve-se verificar se não há infiltrações de água;
-
Em caso de
detecção de escorrências ou de infiltrações de água deve-se
actuar com a maior rapidez possível, evitando-se consequências
nefastas para o património e gastos avultados no futuro.
As limpezas
do interior devem ser adequadas e com materiais específicos:
-
Não se deve
varrer para evitar o levantamento de poeiras, mas sim recorrer
ao aspirador ou a varredores de pano (tipo mopa);
-
A lavagem do
chão deve se feita sem excessos de água e com produtos não
abrasivos, ou seja, neutros;
-
Os
retábulos, as esculturas, as pinturas e outros objectos
artísticos não devem ser limpos com qualquer produto nem com o
pano do pó;
-
Os móveis e
objectos sem policromia podem ser limpos com um espanador ou com
uma trincha macia;
-
A limpeza
periódica no interior dos armários, arcazes, gavetas e arrumos é
fundamental para detectar a existência de infestações;
-
No
manuseamento das peças recomenda-se a utilização de luvas de
algodão e especiais cuidados na forma como se seguram,
evitando-se os pontos mais frágeis (cabeça, braços, etc.);
-
Os têxteis
antigos não devem ser lavados nem sacudidos; o seu arejamento
não deve ser feito sob a luz solar directa.
As condições
ambientais, as infestações e outros danos:
-
É necessário
um controlo das condições ambientais, evitando-se variações
muito acentuadas de temperatura e de humidade;
-
O excesso de
humidade no interior favorece o aparecimento de bolores e fungos
que levam à destruição de pinturas, esculturas, têxteis, couros,
etc., pelo que é necessária uma inspecção periódica das peças
para se detectar atempadamente a sua presença;
-
Recomenda-se
um arejamento periódico dos armários onde se guardam os
objectos;
-
Deve ser
feita uma vigilância frequente dos objectos (procurar vestígios
de serrim, dejectos, orifícios, casulos), para detectar
eventuais infestações de insectos (xilófagos, formiga branca,
traças, borboletas brancas, peixinhos de prata, etc.) e a
presença de roedores cuja acção pode levar à perda parcial ou
mesmo total das peças;
-
Quando
detectada a infestação activa o objecto deve ser imediatamente
isolado dos restantes e deve-se providenciar uma intervenção
curativa recorrendo ao aconselhamento e à intervenção de
técnicos especializados;
-
A luz
constitui um factor natural de degradação, pelo que se deve
procurar atenuar os seus efeitos nocivos evitando a exposição
das peças à luz natural ou artificial directa ou colocando
cortinas de pano-cru nas aberturas;
-
As peças que
não se encontram ao culto e os livros devem estar em locais
fechados e protegidos da luz;
-
Deve-se
evitar o excesso de flores e o seu contacto com os objectos
artísticos;
-
Os vasos
devem ser totalmente herméticos, para que a humidade não entre
em contacto com as superfícies de madeira;
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As velas
devem ser acesas apenas durante a celebração e apenas as da mesa
do altar, as das estruturas retabulares devem manter-se
apagadas;
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Nunca devem
ser aplicadas nas peças produtos como colas, fita-cola,
elásticos, alfinetes, ceras, decapantes, etc.;
-
Não devem
ser aplicados arbitrariamente pregos (muito utilizados para
fixar as imagens nos andores) ou outros materiais de fixação
(clipes, agrafos, pioneses) nos retábulos, imagens, pinturas,
etc., cuja oxidação e perfurações são nefastas para a
conservação das peças;
-
É
fundamental que não se acumulem materiais vários nem obras de
arte em arrecadações, estas devem ser guardadas em locais
adequados, limpos e arejados;
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As peças que
já não têm funcionalidade na igreja, mas que possuem valor
histórico e artístico, devem ser preservadas e dispostas em
locais limpos, arejados e com dignidade.
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